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Alimentação

Barómetro FOOD 2026: o que os dados revelam para a restauração

2 de Novembro, 2026

Os hábitos dos clientes estão a mudar e os restaurantes sentem esse impacto todos os dias. O Barómetro FOOD 2026 revela que 85% dos trabalhadores em Portugal reduziram as idas a restaurantes nos últimos 12 meses, pressionados pelo orçamento. Mas isso não significa que deixaram de se preocupar com o que comem: 90% dizem prestar cada vez mais atenção à sua alimentação, e 88% esperam que a própria empresa onde trabalham promova ativamente hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis.

Esta mudança de comportamento representa um desafio para o setor, mas também uma oportunidade: os restaurantes que conseguirem responder a esta procura por opções mais saudáveis e sustentáveis têm margem para se diferenciar e ganhar vantagem competitiva.

O combate ao desperdício já é prática comum

98% dos estabelecimentos indicam já ter implementado alguma medida contra o desperdício alimentar, face a 89% em 2025. As medidas mais populares são de fácil adoção: disponibilizar caixas para os clientes levarem as sobras (61%) e reutilizar ingredientes em novas receitas (59%).

Saudável, sim. Mas a que custo?

65% dos restaurantes dizem que os clientes notam e valorizam a oferta saudável, um sinal de que o investimento nesta área é reconhecido pelo cliente. Por outro lado, 54% consideram que preparar refeições saudáveis é mais caro, apontando as condições de preço e de operação dos próprios estabelecimentos como principais entraves.

O desperdício pesa na decisão do cliente

98% dos clientes manifestam preocupação com o desperdício alimentar e 80% gostariam de saber quais os restaurantes que adotam medidas para o combater. Este interesse pode, por isso, ser explorado pelos estabelecimentos: comunicar de forma clara e visível as práticas sustentáveis já implementadas pode ser, por si só, um fator de escolha para o cliente.

O poder de compra também pesa do lado dos restaurantes

A quebra do poder de compra sente-se já na procura: 39% dos restaurantes notaram uma redução do número de clientes nos últimos 12 meses. Para fazer face ao aumento dos custos, 48% dos estabelecimentos aumentaram os preços das refeições até 10% em 2026 e 28% subiram-nos entre 10% e 20%. Apenas 24% não aumentaram os preços.

Ainda assim, o balanço do ano é globalmente positivo: 58% dos restaurantes avaliam 2026 de forma positiva, enquanto 30% consideram o ano negativo e 4%, muito negativo. Entre os principais desafios identificados pelos estabelecimentos destacam-se o custo das matérias-primas (85%), a falta de pessoal qualificado (41%), os impostos sobre transações (37%) e a pressão sobre a rentabilidade e a falta de clientes (33%).

O cartão refeição lidera os serviços digitais

Entre os serviços digitais disponibilizados pelos restaurantes, a aceitação de cartões refeição é a mais difundida: 85% dos estabelecimentos aceitam-nos. Seguem-se as encomendas online para takeaway (39%), a presença em plataformas de entrega (22%) e a utilização de plataformas de reservas (15%). As soluções de encomenda e pagamento à mesa (11%) e os sistemas próprios de entrega (7%) são menos comuns.

67% dos restaurantes inquiridos dizem que o cartão tem um impacto positivo na sua receita, o que reforça a importância deste meio de pagamento num contexto de maior contenção de despesa por parte dos clientes.

Um ano de ajustes, mas também de oportunidade

O aumento dos preços não afeta só os clientes: 39% dos restaurantes notaram uma redução de clientela nos últimos 12 meses e 85% apontam o custo das matérias-primas como o principal desafio. Apesar disso, a maioria avalia 2026 de forma positiva, um sinal de que o setor está a encontrar formas de se adaptar a um contexto mais exigente.

E é precisamente nessa adaptação que reside a oportunidade: num momento em que os clientes vão menos a restaurantes, mas continuam a valorizar e a procurar opções mais saudáveis e sustentáveis, os estabelecimentos que souberem comunicar e investir nessa oferta têm uma vantagem real para conquistar e reter clientela, mesmo num contexto de maior contenção orçamental.